sábado, 28 de abril de 2018

Wallace Souza

Francisco Wallace Cavalcante de Souza, mais conhecido como Wallace Souza (Manaus, 12 de agosto de 1958 - São Paulo, 27 de julho de 2010), foi um político, apresentador de televisão e criminoso brasileiro, acusado de comandar crime organizado no estado do Amazonas, ao assassinar traficantes e viciados de drogas na Grande Manaus para exibir os casos no Programa Canal Livre, apresentado por ele e exibido pela TV Em Tempo.

Sofrendo de ascite, foi internado em estado grave na UTI do Hospital Bandeirantes, São Paulo, vindo a morrer em julho de 2010 em decorrência de uma parada cardíaca.

Wallace Souza nasceu no Amazonas e teve outros irmãos, Carlos Souza e Fausto Souza.Souza ingressou na Polícia Civil em Manaus, em 1979. Foi expulso da corporação em 1987 após ser flagrado desviando combustível da própria polícia.Depois da expulsão da corporação,iniciou a política em 1996, como candidato a vereador de Manaus, obteve 898 votos e não foi eleito.Em 1998 se candidatou a deputado estadual no estado do Amazonas e obteve 51.181 votos pelo PL.Ingressou na TV com o Canal Livre na TV Rio Negro (hoje TV Bandeirantes Amazonas) em 1996. O programa mudou de emissora e foi para TV Manaus (hoje TV Em Tempo) com o novo nome Programa Canal Livre. Ao lado dos irmãos, comandava o programa com casos policiais, mostrando assassinatos, sequestros e operações de repreensão ao tráfico.
Associação criminal
Em 2008, o ex-policial militar Moacir Jorge Pereira da Costa, conhecido como "Moa", denunciou que Wallace Souza e seu filho, Raphael Souza, comandavam quadrilha de esquadrão da morte e crime organizado no Amazonas. Em depoimento à polícia, diz que ao menos um assassinato foi cometido de acordo com determinação do deputado e gravado pela equipe de seu programa. No dia 25 de abril de 2009, a Polícia Civil, que investigava desde 2008 as suspeitas de associação ao tráfico e até assassinato de traficantes adversários para exibição no programa de TV, entra na casa do parlamentar e apreenderam grande quantidade de dinheiro e ouro, além de armas e munição.O filho, Raphael Souza, assumiu ser dono do material e recebeu voz de prisão. A operação foi muito tumultuada, pois Wallace e os irmãos Carlos e Fausto Souza, ao chegarem ao local, tentaram impedir a ação da polícia.Wallace Souza era investigado pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas. O trio dos irmãos foi logo acusado de associação ao tráfico, mandar matar traficantes adversários apenas para mostrar no programa de TV para aumentar a audiência e liderarem o crime organizado no Amazonas.Em julho, por determinação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Wallace Souza seria investigado por formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas, porte ilegal de armas e determinar a execução de crimes para que fossem exibidos no programa Canal Livre.Em 2 de agosto, o programa Fantástico, da Rede Globo, através da reportagem feita da afiliada TV Amazonas, mostrou as graves denúncias (comparando ao "Caso Motosserra" do político no Acre Hildebrando Pascoal), com o nome do "Caso Wallace", tornando-se conhecimento nacional e até no exterior.
Cassação
No dia 1º de outubro de 2009, a Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) iniciou a sessão de cassação do mandato de Wallace Souza. Vestido de branco e com uma Bíblia nas mãos, Wallace chorou em plena ALE, recebendo o apoio apenas do deputado Wilson Lisboa, presidente da sessão.Mesmo assim, deputados da ALE-AM cassaram o mandato de Souza, por quebra de decoro parlamentar. Em votação secreta, 16 deputados votaram a favor da perda de mandato. O placar marcou quatro votos contra e três abstenções.[2]Após o resultado da cassação, Wallace Souza passou mal e foi levado em uma maca a uma audiência na ALE-AM.
Prisão
Sem foro privilegiado por ter o mandato cassado, Wallace teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de outubro, por associação ao tráfico. Agentes da Polícia Civil e Federal procuraram o ex-parlamentar por toda cidade de Manaus, chegando a armar barreiras nos portos e aeroportos da capital. Após quatro dias foragido, Wallace se entregou à polícia, em 9 de outubro.Mesmo sem ter curso superior, Wallace foi levado para uma cela especial no 1º Batalhão da Polícia de Choque, localizado no km 17 da AM 010. A polícia temia pela segurança do acusado.
Outras prisões
Após a cassação de Wallace Souza surgiu o caso de Vanessa Lima, ex-produtora do programa Canal Livre. Ela foi denunciada por Patrícia Almeida, irmã do traficante "Franquezinho do 40", preso no Mato Grosso do Sul, por manter associação com o tráfico de drogas no Amazonas.Em 11 de novembro de 2009, Vanessa foi ouvida por três horas na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Amazonas. No depoimento, a ex-produtora nega que tenha telefonado para Patrícia e diz que recebeu ligação da irmã do traficante após a prisão de Raphael Souza, filho do ex-deputado, condenado a 11 anos de prisão por associação ao tráfico. No mesmo dia, o Ministério Público do Amazonas decretou pedido de prisão preventiva de Vanessa Lima, que foi indiciada por associação ao tráfico de drogas no estado.[4] Foi presa na tarde de 10 de dezembro, também sob acusação de associação para tráfico de drogas.
Internações
Após a cassação, a saúde do ex-deputado piorou desde então. A primeira internação foi no dia 2 de novembro de 2009. Ele deixou a prisão e foi encaminhado à Beneficente Portuguesa, Centro de Manaus. Com dores no abdômen e no tórax, Wallace ficou internado por três meses e meio, quando recebeu alta no dia 16 de fevereiro de 2010 e voltou para casa, para cumprir prisão em regime domiciliar. No dia 18 de março de 2010, com doença crônica no fígado, foi transferido para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo. No dia 11 de junho, o quadro clínico de Souza piorou, devido a complicações nos rins e nos pulmões. Wallace deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo, chegando a ficar sob coma induzido e respirando por aparelhos. Durante todo esse período ele ficou sob guarda de agentes da Polícia Federal. A família de Wallace tentou retirar a escolta policial e até transferi-lo para tratamento em Miami, nos Estados Unidos, mas a Justiça negou os pedidos.

Novas denúncias
Paralelo a isso, no dia 11 de maio de 2010, a produtora e repórter do Canal Livre, Gisele Vaz, afirmou em depoimento prestado na 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecente (2ª Vecute), que participou de pelo menos uma das reuniões em que Wallace Souza tramava, junto a mais três pessoas, o assassinato da juíza federal Jaiza Fraxe. No dia 7 de julho, o juiz responsável pela investigação do "Caso Wallace", Mauro Antony, declarou que o processo está perto de chegar ao fim. Até aquela data, foram ouvidas 12 réus e testemunhas de defesa. Mauro Antony esperava encerrar o caso em dezembro daquele ano.
Morte
Souza morreu às 16h do dia 27 de julho de 2010 após sofrer uma parada cardíaca.

Créditos: Wikipédia

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