quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Dama Tóxica

A “Dama Toxica" é o apelido pelo qual ficou conhecida Gloria Ramirez, uma dona de casa cuja morte acarretou uma serie de problemas de saúde na equipe medica que cuidou de seu caso.

Gloria era uma dona de casa comum de ascendência mexicana, tinha dois filhos e trabalhava em uma escola primária. Por volta de 20:15h do dia 19 de Fevereiro de 1994, Gloria foi levada por paramédicos para a emergência do Hospital Geral Riverside, devido aos efeitos de um avançado câncer no colo do útero. Gloria estava extremamente confusa, além de estar com um quadro de taquicardia, sua respiração estava lenta e decrescente. Os médicos injetaram diazepam, midazolam e lorazepam para sedá-la.

Como Gloria estava respondendo mal ao tratamento, tentaram desfibrilar seu coração. Nesse momento a equipe viu um brilho oleoso cobrindo o corpo dela, e sentiram um cheiro de alho que acreditavam estar vindo de sua boca. Uma enfermeira da equipe, Susan Kane, tentou tirar sangue do braço de Gloria e notou um cheiro de amônia exalando do tubo.



Ela passou a seringa para Julie Gorchynski, médica residente, que viu partículas amareladas flutuando no sangue da seringa. Em seguida a enfermeira Susan desmaiou e foi removida da sala. Pouco depois, a medica Julie começou a sentir náuseas, tonturas e também deixou a sala. Um membro da equipe perguntou se ela estava bem, mas antes que pudesse responder, ela também desmaiou. Maureen Welch, um terapeuta que estava ajudando na sala foi o terceiro a passar mal e sair da sala.

A equipe pediu para que todos os pacientes da ala de emergência fossem para o estacionamento fora do hospital. No total, 23 pessoas adoeceram e cinco foram hospitalizadas. Uma equipe reduzida ficou para traz cuidando de Gloria. 45 minutos após dar entrada na emergência Gloria foi declarada morta por insuficiência renal relacionada ao câncer.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos da Califórnia colocou dois cientistas, Drs. Ana Maria Osorio e Kirsten Waller, no caso. Eles entrevistaram 34 funcionários que trabalhavam na ala de emergência do hospital em 19 de fevereiro. Usando um questionário padronizado, Osorio e Waller descobriram que as pessoas que haviam desenvolvido sintomas graves, tais como perda de consciência, falta de ar e espasmos musculares, tinham algumas coisas em comum: estavam perto de Gloria ou entraram em contato com seu corpo e por isso estavam em alto risco.

Mas outros fatores que se correlacionaram com sintomas severos não pareciam ter relação com a fumaça liberada pelo corpo de Gloria. A pesquisa constatou que as mulheres apresentaram mais sintomas que os homens, e todos eles tinham exames de sangue normais após a exposição. Os investigadores acreditavam que os funcionários do hospital tiveram uma crise de histeria em massa.

A médica Julie Gorchynski negou ter sido afetada por histeria em massa e usou seu próprio histórico médico como prova. Após a exposição, ela passou duas semanas na unidade de cuidados intensivos com problemas respiratórios. E tambem desenvolveu hepatite e necrose avascular em seus joelhos. Ansiosas para esclarecerem a história e ganhar seus processos contra o hospital, ela e a enfermeira Susan Kane contataram o Laboratório Nacional Lawrence Livermore.

O laboratorio Livermore postulou que Gloria tinha utilizado dimetilsulfóxido (DMSO), um solvente usado como um poderoso desengordurante, como remédio caseiro para dor. Os utilizadores deste solvente relatam que ele tem um sabor semelhante ao de alho. Vendido em forma de gel em lojas de ferragens, ele também poderia explicar o aspecto gorduroso do corpo de Gloria. Os cientistas de Livermore teorizam que o DMSO no sistema de Gloria poderia acumularam devido ao bloqueio urinário causado por sua insuficiência renal.

O oxigênio administrado pelos paramédicos teria se combinado com o DMSO e formado dimetilsulfona (DMSO2), que é conhecido por cristalizar em temperatura ambiente, e esses cristais eram as partículas encontradas em algumas amostras do sangue retirado de Gloria. Os cientistas de Livermore postularam na The New Detectives que a mudança na temperatura do sangue coletado do corpo de Gloria sala de emergência, pode ter contribuído para a sua conversão de DMSO2 em DMSO4. Choques elétricos administrados durante a desfibrilação de emergência poderiam ter convertido então a DMSO2 em dimetil sulfato (DMSO4), um poderoso gás venenoso, a exposição a que poderia ter causado os sintomas relatados do pessoal da sala de emergência.

Não há razão para duvidar desta explicação particular, no entanto, uma vez que a conversão química de DMSO a dimetil sulfato nunca foi relatada em qualquer literatura química e mecanicamente é implausível.

O gabinete do Riverside Coroner aceitou a conclusão de DMSO como a provável causa dos sintomas dos médicos do hospital, enquanto a família da falecida discordou do laudo. Então dois meses após a sua morte, a família de Gloria contratou um patologista e seu corpo passou por uma autópsia independente. O patologista foi incapaz de determinar a causa da morte, porque seu coração estava faltando, seus outros órgãos estavam contaminados com matéria fecal, e seu corpo estava muito decomposto. Dez semanas após sua morte, Gloria foi enterrada em uma cova anônima no Olivewood Memorial Park, em Riverside.

A possível explicação química para este incidente por Patrick M. Grant do Forensic Science Center Livermore está começando a aparecer em livros didáticos de ciência básica forense. Nesses livros os autores opinaram que, apesar de algumas discrepâncias existirem, o cenário postulado é "a explicação mais científica até à data" e que " além desta teoria, nenhuma explicação credível jamais foi oferecida para o estranho caso de Gloria Ramirez."

créditos: meu-monstrinho-bizarro

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