terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Serial Killer - Zodíaco

O fato é que esse cara é um dos maiores mistérios policiais de todos os tempos – há quem diga que ele fica atrás somente de Jack, o Estripador. Comprovadamente, ele é responsável por seis mortes ocorridas na Califórnia, nos EUA, no final dos anos de 1960. Ainda assim, ele se dizia responsável por tirar a vida de 37 pessoas.

Eis outra face curiosa desse sanguinário, aliás: ele se comunicava por meio de cartas cheias de enigmas que enviava a jornais locais – alguns desses enigmas não foram decifrados até hoje. O fato é que Zodíaco, apelido que deu a si mesmo, ainda é um completo desconhecido.

Devido à sua popularidade, muita gente chegou a se entregar à polícia dizendo ser o criminoso, mas o verdadeiro Zodíaco ainda não foi capturado, e tudo o que se sabe sobre a aparência dele é um retrato-falado feito com a descrição das duas únicas vítimas que sobreviveram aos seus ataques.


Sangue frio

Acredita-se que a primeira vítima de Zodíaco tenha sido Cheri Jo Bates, uma estudante universitária de Riverside, na Califórnia. Cheri foi morta do lado de fora da biblioteca do campus onde estudava, no dia 30 de outubro de 1966. Enquanto a jovem estava na biblioteca, o assassino sabotou seu carro e ficou à espreita da moça que, depois de não conseguir ligar o veículo, ao que tudo indica acabou aceitando uma carona do assassino.

Antes de Cheri morrer, ela ficou uma hora na companhia de Zodíaco, não se sabe exatamente fazendo o quê. Depois ele a matou com três facadas no peito, uma nas costas e sete no pescoço, quase chegando a decapitá-la. Ela também foi asfixiada e apanhou muito no rosto. Não foram encontrados sinais de estupro ou assalto no corpo da vítima.

Alguns registros indicam a presença de um homem branco que foi visto dirigindo um carro velho nos arredores do local do crime. De acordo com a polícia, uma pessoa teria presenciado o assassinato da estudante.

Um mês após a morte de Cheri, a primeira carta do assassino foi enviada ao jornal local. Depois disso, mais cartas foram enviadas, agora não apenas para a imprensa, mas também à polícia e ao pai de Cheri. Nessa segunda carta, Zodíaco dizia “Bates tinha que morrer. Haverá mais mortes”, em uma tradução livre.

Mais crimes



Outro assassinato promovido por Zodíaco chocou a cidade de Vallejo, também na Califórnia. No dia 20 de dezembro de 1968 um casal de adolescentes estacionou o carro em um lugar conhecido por atrair casais apaixonados. Lá, Zodíaco atirou contra a cabeça de David Faraday enquanto ele ainda estava sentado no carro. Depois, atirou cinco vezes contra Betty Lou Jensen, quando ela estava do lado de fora do veículo, provavelmente tentando fugir.

A polícia acredita que Zodíaco atacou outro jovem casal no dia 4 de julho de 1969. Mike Mageau e Darlene Ferrin estavam em Vallejo quando foram baleados. Mageau sobreviveu, mas sua namorada morreu na hora. Nesse período, Zodíaco escreveu mais cartas para jornais da região, repassando alguns detalhes do crime.

Além disso, Zodíaco escreveu uma mensagem codificada, que dividiu em várias partes; cada uma delas foi enviada a um jornal diferente. A mensagem era clara: se os jornais não publicassem os códigos em seus impressos, haveria mais pessoas assassinadas. A carta foi finalizada com um símbolo estranho, que acabou virando uma espécie de “brasão” do assassino.

Detalhes



A mensagem codificada foi decifrada graças à ajuda de um professor de Salinas, no mesmo estado. O conteúdo revelava detalhes perturbadores da mente psicopata de Zodíaco, que afirmou que gostava de matar pessoas “porque isso é tão divertido” e revelou, ainda, acreditar que suas vítimas se tornariam seus escravos depois que ele morresse também.

O apelido “Zodíaco” foi adotado pelo assassino em agosto de 1969, em uma carta que ele enviou ao jornal San Francisco Examiner. No dia 27 de setembro daquele mesmo ano, o assassino voltou a agir, escolhendo mais um jovem casal que passeava à noite. Dessa vez, nada de tiros: Zodíaco esfaqueou os dois repetidas vezes. Cecelia Shepard não resistiu aos ataques e morreu dois dias depois, mas seu namorado, Bryan Hartnell, sobreviveu.

No carro de Hartnell, Zodíaco deixou um bilhete informando as datas dos assassinatos anteriores, como uma forma de comprovar sua identidade. Os dois sobreviventes ajudaram a polícia a criar um retrato-falado do assassino, que foi descrito como um homem branco, robusto e que deveria ter seus quase 30 anos, de cabelo curto castanho e óculos. As vítimas afirmaram também que, durante os ataques, Zodíaco usava uma espécie de capa.

Outra vítima do psicopata foi um motorista de táxi, que levou um tiro no dia 11 de outubro de 1969, apenas algumas semanas depois do último ataque. No dia 13 de outubro, Zodíaco enviou outra carta, dizendo que havia realmente matado o taxista e que estava preparando um ataque de bomba em um ônibus escolar, para matar várias crianças ao mesmo tempo. Felizmente, essa promessa acabou não sendo cumprida.


Mistério

Até hoje a real identidade de Zodíaco permanece desconhecida. O assassino só fica atrás de Jack, o Estripador nessa questão de casos não resolvidos. Só para você ter ideia, as investigações policiais a respeito desse cara têm uma lista de mais de 2.500 suspeitos, todos já investigados pela polícia.

Desde que o caso foi divulgado, muitos policiais, detetives, jornalistas e curiosos começaram a investigar a história por conta própria. Isso acabou gerando uma série de discussões e especulações a respeito do terrível assassino – não apenas nos EUA, mas em diversas partes do mundo há pessoas dedicadas a estudar esse caso. Neste site há toda a história detalhada, com todos os conteúdos das cartas divulgados – em inglês.


Possíveis suspeitos

Muitos livros já foram escritos em cima da história de Zodíaco, sendo que alguns autores chegaram até mesmo a apontar alguns suspeitos, entre os quais Charles Manson e Ted Kaczynski, dois dos criminosos mais temidos do planeta. Já Arthur Leigh Allen acabou entrando para a lista depois de ser identificado como responsável pelo ataque a Hartnell e Mageau – ainda assim, um exame de DNA não comprovou que ele era o assassino.

O caso voltou à tona em 2007, quando pesquisas para o filme Zodiac, do diretor David Fincher, descobriram que algumas cartas do assassino não haviam passado por testes de DNA.

Parentesco

Zodíaco voltou à mídia quando no início do ano passado o escritor Gary L. Stewart, autor de “The most dangerous animal of all” (algo como “O animal mais perigoso de todos”, em uma tradução livre) disse ser filho do polêmico assassino.

Segundo Stewart, a descoberta foi feita depois que o autor resolveu ir atrás de seu pai biológico. De acordo com o relato do autor no próprio livro, há comprovação forense de que o assassino é seu pai. Além disso, ele diz ter informações chocantes a respeito da personalidade fria e doentia de Zodíaco.

Antes de Stewart outra pessoa já havia afirmado ter uma relação de parentesco com o assassino. Em 1991, um advogado de São Francisco alegou que seu irmão já morto, Jack Steadman Beeman, era o assassino, mas nada nunca foi comprovado.


Algumas das cartas

Os recados enviados pelo assassino eram sempre pretensiosos, cruéis e, em alguns casos, descreviam os crimes com uma frieza quase inacreditável, por isso vamos divulgar aqui a tradução de somente duas das cartas de Zodíaco. Para ler todas elas, acesse este site, que tem um conteúdo vasto sobre o caso – em inglês.

“Aqui quem fala é o Zodíaco. A propósito, vocês já resolveram a última cifra que enviei? Meu nome é... [CÓDIGO]. Estou levemente curioso com quanto dinheiro vocês estão pagando de recompensa pela minha cabeça. Espero que vocês não pensem que eu era aquele que apagou um policial com uma bomba na delegacia. Embora eu tenha falado de matar crianças com uma. Não seria certo invadir o território de outra pessoa. Mas há mais glória em matar um policial do que em matar uma criança, porque um policial pode atirar de volta. Já matei dez pessoas até hoje. Teria sido muito mais, mas minha bomba falhou. Eu fiquei alagado pela chuva que tivemos algum tempo atrás.”


“Aqui quem fala é o Zodíaco. Eu fiquei bastante irritado com o povo da Bay Area de San Francisco. Eles não acataram meus desejos de que usassem um bottom com meu símbolo. Prometi puni-los se não acatassem, aniquilando um ônibus escolar. Mas agora as escolas estão de férias pelo verão, então eu os puni de outra maneira. Atirei em um homem sentado em um carro estacionado com um .38. O mapa que acompanha este código diz onde a bomba está. Vocês têm até o outono para desenterrá-la.”


Créditos: megacurioso 

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