terça-feira, 21 de outubro de 2014

A Fada do Dente

"Finalmente o último", pensou Maria, uma menininha de 10 anos, ao retirar seu ultimo dente de leite no banheiro. Ela limpou o sangue da pia de mármore branco e olhou para o espelho onde pode ver o lugar vago do dente. Com língua sentiu a carne da gengiva e o gosto férrico do sangue quente misturado com a saliva. Maria lavou o dente e sorrio consigo mesma, mostrando a "janelinha" no espelho.

"Nossa, como já estou velha". Pode parecer bobo, porém para uma criança, perder o ultimo dente de leite é algo muito significativo, algo como um rito de passagem pessoal.

Já era noite e de pijamas, a inocente jovem, estava ajoelhada ao lado de sua cama, rezando antes de dormir, pesando que estava protegida de tudo pela sua inocente fé. Sua mãe surgiu na porta e desejo-a boa noite mas antes disse solene :



— Boa noite filha. Lembre-se de colocar o dente de baixo do travesseiro para a Fada do Dente minha filha, dizem que o último dente é o mais especial.

— Pode deixar, boa noite mãe.

A garota pegou o dente em sua cômoda e  começou a ponderar se deveria colocar o dente debaixo do travesseiro ou não. "Ah, esse negócio de Fada do Dente não existe. Se eu colocar debaixo do travesseiro, minha mãe vai pensar que ainda sou um bebezinho. É hora de mostrar que já estou crescida".  Tratando todo o ritual familiar de colocar o dente debaixo do travesseiro como uma bobagem, ela desobedeceu o conselho da mãe e o deixou na cômoda. Na minha opinião é meio que uma tolice, pois rituais cotidianos, mesmo que bobos, podem ser importantes, como o fato de acordar com o pé direito. Além disso, ela acabou perdendo um bom dinheiro que iria ganhar, e quem não gosta dinheiro, não é mesmo ?

Maria se deitou sorrindo, pensando em coisas, como por exemplo, como seria quando estivesse adulta, seu casamento de conto de fadas, empregos, filhos, sonhos que crianças tem sobre o seu futuro assegurado pela tranquilidade e comodidade de suas vidas inocentes.



Uma dor

Uma dor aguda, aguda, aguda e lancinante tomou seu corpo.

Nem quando caiu da bicicleta havia sentido algo assim, era horrendo. Ela acordou assustada e gritando. Ardia tanto, mais tanto, mais tanto que sua voz parecia sumir. Ela olhou e ao meio do escuro tênue de seu quarto,viu uma machadinha que acertava sua perna. Maria viu seus ossos quebrados e expostos fora da carne e esmagada, com sangue por toda parte, enxergando seu lençol. Doía tanto que por mais que chorasse, nada parava, era uma tortura que invadia sua mente e afazia desejar a morte. O instrumento continuava a acertar a sua perna, picando seu membro como um açougueiro que pica um animal em seu balcão rodeado de moscas que depositavam seus ovos brancos e gosmentos na carne, mas que ninguém percebe.

Ela tentou mover a perna, mas não conseguia, algo a segurava. Era uma mão magra, pálida e enrugada, com unhas afiadas, grossas e amareladas, que a apertava tão forte, qua suas garras rasgavam sua pele. A ver o rosto da criatura, gritou ainda mais com o medo quase parando seu coração. O ser tinha um rosto de uma mulher, mas uma face pálida e seca , com lábios mortos iguais a um defunto, um sorriso estranho nos dentes podres e manchados de sangue. Seus olhos eram negros de completa escuridão, parecendo órbitas vazias e sem fundo. Era pior que a morte, pior que um monstro ou um fantasma até.

A coisa gargalhava acertando a perna da garota que apenas tentava fugir para sobreviver. Forçando seu corpo ela tentou se afastar, mas a criatura gritou e com um golpe rápido, o machado arrancou a mão da garotinha. O membro decepado voou longe e do cotoco do braços, os ossos do antebraço foram expostos e as veias do pulso fizeram que o sangue jorrasse em um jato vermelho que cobria ainda mais todo os seu corpo de sangue. Quase convulsionando de dor, ela  rolou aos berros pela cama com o lençol transbordando de líquido vermelho e com carne, pele e lascas de ossos, caindo ao lado da cama.

O ser foi até ela contornando a cama com passos vagarosos e sádicos. Com seu corpo cadavérico , puxou debaixo da cama  uma grande marreta, como aquela usadas para quebrar pedras. Porém aquela marreta não iria acertar nenhuma rocha . Não, a criatura a usou para acertar o resto das pernas da garotinha, terminando de arrancar a perna que antes atacava com a machadinha e esmagou a outra com tanta força e tantas vezes, que quando ela saiu do corpo, já não se sabia o que era carne, ossos ou veias cheias de sangue.

A criança chorava como nunca se vira antes, suas cordas vocais estavam praticamente arrebentadas e estava a ponto de ficar inconsciente por causa da dor quando uma frase saiu de seus lábios.

— Quem... é... você ?!

Ela largou a marreta no chão e parou de rir.

— Não sabe quem eu sou ?— diz a coisa com uma voz rouca.

O corpo em pé da criatura se arrastou para traz, como uma aparição e desaparecendo nas sombras. A criança pensou que estava livre, morrendo, mas pelo menos livre da tortura. Sentia a dor insuportável, mas quando morresse nada mais sentiria e isso era bom. Mas a voz da criatura veio novamente:

—Eu...—disse a coisa voltando andando das sombras com algo em suas mãos— eu sou...
Pela luz da Lua que atravessava a janela, a garota viu o que a coisa carregava: Uma moto-serra.
— Eu sou a Fada do Dente.


As asas macabras da criatura se abriram e ela deu partida na no motor, que soltando fumaça, cantou sua música mortal. A criança deu um ultimo berro de horror, antes que a "Fada dos dentes" afundasse a serra na boca da criança. Gargalhando descontrolávelmente , a fada movia a motosserra partindo a mandíbula, de onde o sangue se espalhava como em um chafariz para todo o lado. Dentes caiam e se espalhavam pelo chão, a língua destroçada a ponto de ser moída em milhares de pedaços e o rosto ficou irreconhecível, pois mesmo com a garota morta, a fada continuou a destruir aquele rosto inocente.

Um grito percorreu toda a escuridão. A menina abriu os olhos e se surpreendeu por ainda estar viva, não sentia aquelas dores horriveis e nem nada. Seu corpo estava deitado em algo confortável como... uma cama.

"Ufa". Tudo não havia passado de um pesadelo, um pesadelo bobo só por quê dormira pensando se deveria ter colocado o último dente debaixo do travesseiro. Que tolice pensar que uma fada dos dentes endemoniada viria com vários instrumentos de tortura para matá-la de forma brutal, só por quê não cumpriu um costume de criança. Ainda bem que estava viva. Ainda bem que não estava mutilada. Ainda bem que tudo aquilo não passou de um pesadelo.

Ou assim ela pensava

Resolvendo se levantar para tomar um copo d'agua, percebeu que não conseguia levantar seus pulsos, tornozelo ou pescoço. Todos estavam presos. Quando uma luz forte de uma lâmpada se acendeu sobre ela, a menina percebeu que estava atada em uma cadeira de dentista no meio de um lugar escuro só com aquela lâmpada presa no braço de ferro da cadeira a iluminando.

Ela ouviu passos e lá estava a espectral e assustadora fada vestida como dentista.

—Está pronta para a próxima seção ?— perguntou a coisa ironicamente sorrindo por de traz da máscara hospitalar.

Antes que a menina pudesse gritar, com o desespero estampado em sua cara, ela viu a fada dos dentes se aproximando com um enorme alicate. Era hora de mais dor.


A garota Maria nunca foi encontrada, nem uma pista ou resquício  dela em seu quarto, mas estranhamente seu ultimo dente estava em cima de sua cama perfeitamente arrumada. Porém, em algum lugar, depois de muito tempo, alguém daquela cidade achou um saco com vários ossos, carne humana, cabelo e roupas, restos de olhos,como se alguém tivesse feito um purê humano com carne e tudo mais picado minuciosamente e coberto de vermes que saiam da pasta podre, rasgando o saco se saindo como moscas. Mas  não encontraram nenhum dente...

Retirado de: creepypastasmacabras
Original: Predomíno do Terror

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