sexta-feira, 25 de abril de 2014

Smile

  Ei, por favor, me ajude. Eu sei que é estranho, mas eu estou prestes a me suicidar. Preciso de sua ajuda. Eu já não consigo mais suportar... Essas cenas em minha mente não me deixam pensar em mais nada. Eu ainda tenho alguns minutos mas, para que eu te explique o que aconteceu, você precisa aceitar todas as cláusulas do contrato. Se ainda estiver lendo após essa linha que foi escrita com meu sangue neste papel, é por que decidiu mergulhar nesse meu psicótico mundo de horror, por sua conta e risco. Se você está lendo isso ainda, saiba que o contrato já foi fechado e, mesmo que não queira, você estará sob as exigências de seus termos, então sugiro que não pare por aqui. Agora, antes que a segunda badalada da manhã toque, vou lhe contar algo sobre mim. 
  Eu trabalhava em um centro médico com pacientes portadores de distúrbios mentais, estava atuando como psiquiatra. A entidade da qual eu dedicava meus esforços, em prol de minha profissão foi destruído em um acidente. A instituição pegou fogo, não se sabe como. Cerca de 400 pacientes morreram carbonizados. Eu podia ver, ao fechar meus olhos, os infelizes, alvos desta tragédia, ao ter suas peles derretidas e suas carnes envolta em chamas... Eu podia ouvir os seus berros de desespero que formavam ecos em minha cabeça e faziam meus tímpanos estourarem em um desconforto que me causava horrores...
  Apesar de tudo, conseguir salvar algumas notas de meu diário de estudos que me coloquei a escrever quando conheci a raiz de todo o mal, isso que aconteceu comigo aqui, em New Orleans, a cidade que me amaldiçoou. Colocarei como anexo nesta carta endereçada para minha sobrinha do Brasil, Claudia Lima Pereira. Os motivos deste envio para minha sobrinha são confidenciais, e cabe somente a ela e a mim saber.


1949 - Diário de Lived E. Live
Manhã de 6 de Abril, Sexta-Feira - Setor 6

  Esta manhã, às exatas 06:06, Lived começou a se debater e gritar, como no dia anterior. Louiza, a enfermeira que é encarregada de providenciar que os debilitados tomem seus remédios no período da madrugada, foi quem, dessa vez, estava presente no local e pode relatar isso. Até onde ela me contou, tinha acabado de ver uma mensagem no seu celular, por isso sabia a exata hora. De acordo com o que disse para mim, Louiza se assustou quando ouviu os gritos de um paciente do setor 6, então foi até lá em busca do motivo de tal perturbação. Ao chegar na porta do quarto com passos rápidos, ela olhou pelo vidro da janela na porta e ficou apavorada com o que seus olhos viam... O lençol estava no chão, coberto por sangue, e o paciente estava rasgando com as próprias mãos os cantos da boca. De suas gengivas expostas e lábios dilacerados o sangue esgueirava-se até os cantos do pescoço e banhava seu peito, suas pernas e o lençol que estava embaixo dele. Os cortes quase chegavam às orelhas.
  Na parede havia escrito com sangue a palavra S M I L E...
  No dia anterior, ele teria tentado suicídio enrolando o lençol no pescoço e amarrando-o em um lustre simples que fica no teto, isso pelas seis e seis da manhã. As 18:18 da tarde ele tentou se matar jogando o armário, que continha uma TV acima, contra ele, para que esmagasse sua cabeça ao cair no chão. Tony,o enfermeiro que foi substituído por Louiza, escutou o impacto do armário e a TV contra o chão e correu para ver de onde vinha o som.
  Lá, no setor 6, encontrou o paciente com a metade do corpo, exceto a cabeça e o ombro direito, que estavam abaixo do armário, enquanto ele grunhia de dor. Alguns dias depois Tony foi encontrado morto em sua cama, com um estranho sorriso no rosto que ia de canto a canto do rosto, acompanhado de um bilhete na escrivaninha de seu quarto. Com alguns esforços, consegui o acesso ao bilhete ao mencionar que trabalhávamos juntos. Mas verdade, isso só ocorria nas terças, quintas e sábados. Apesar de não poder ter ficado com o papel, o transcreverei aqui:

Eu estou sendo observado, em cada passo que dou.
Eu não posso sorrir. Se eu sorrir, ele vai me matar.
Se ele me matar, eu vou sorrir.
Eu vejo ele nos cantos de meu quarto.
Eu sinto suas unhas pontiagudas costurarem meus pecados em minha pele.
Tenho medo de sorrir. Eu sinto que não vou viver essa noite, porque ele me contou.
O Smile me contou. Ele sussurrou no meu ouvido. Já não adianta mais, eu havia sorrido
antes mesmo de saber que estava amaldiçoado. Meu amor, sei que se eu te contasse isso, você não me deixaria sorrir. Se eu não sorrir, Smile vai fazer com que você sorria no meu lugar. Sempre se lembre que sorri por você, eu te amo demais para te ver sorrir.

Adeus,Anne.



  Eu nunca acreditei em espíritos ou, consequentemente, possessão, mas isso era antes... Esse paciente, Lived Ehtof Live, sempre tinha surtos suicidas sempre nos mesmos horários. Ao analisar que as tentativas de infligir a morte a si mesmo, notei que só ocorriam durante as 06:06 e 18:18 no setor 6, fiquei pensativo... Louiza foi encontrada no seu condomínio em estado de decomposição, contendo uma faca em uma das mãos que, aparentemente, usou para amputar os dedos dos pés e de uma das mãos, escrevendo com os seus restos mortais a palavra Smile. Deve ter desmaiado pela falta de sangue e dor em demasia e então, caído para o sono de Hypnos.
  Lived E. Live parou seus surtos psicóticos no dia seguinte. Troquei de turnos e comecei a cuidar dele. Ele já não falava, somente ficava parado olhando para a parede onde escreverá Smile e, toda vez que os funcionários da limpeza iam apagar aquilo, ele entrava em pânico e desferia golpes contra eles, tendo sido levado por mais de uma vez vestindo uma camisa de força.
  No sexto dia após os primeiros surtos de Lived e a morte de Tony, encontrei ele nu, sem vida, no chão do setor 6. Lived Ehtfo Live expressava um sorriso no rosto. Posso jurar que vi seus lábios se movimentarem brevemente e ouvir um sussurro em meu ouvido direito... "É a sua vez de sorrir". O que só descobrimos naquele momento foi... Que Lived não era um homem, como todos pensávamos, mas sim uma mulher. Havia sangue no chão e em toda sua região pélvica. Dentro dela enterrado em sua vagina estava um rolo de arame enfarpado. Ninguém sabe como ela conseguiu introduziu aquilo em si mesma sem expressar gritos de dor, para que pudéssemos cessar o ato. Minha sanidade estava chegando ao limite...
  Primeiro, os ataques suicidas de Lived. Segundo, depois suicídios repentinos de todas as pessoas que o flagraram em seus suplícios, e que buscavam a morte... Ou melhor, a flagram... E por ultimo, descobrirmos que o meu paciente não era ele, mas sim ela.
  Após 18 noites se passaram depois dos primeiros surtos de Lived, e a morte de Tony, 12 noites a partir da morte de Lived Ehtfo Live, a instituição de indivíduos com distúrbios psicológicos pegou fogo, levando cerca de 400 pessoas para a morte. A única coisa que restou...
  Foi a parede com a palavra Smile, ainda de pé em meio aos escombros e corpos carbonizados.
  Comecei a ficar paranoico. Já não conseguia sair a noite ou permanecer em um local escuro. A escuridão me causava pânico. Passei a me distanciar das pessoas e me isolar de minha mulher e filhas. Eu tinha medo de ver as pessoas sorrirem... Só a palavra sorriso me dá medo, fazendo um frio arrepio de terror percorrer por toda minha espinha...
  Em uma noite quando dormíamos, eu acordei no meio da escuridão. Ao me virar, não vi minha esposa. Eu estava abrindo lentamente meus olhos para que se acostumassem com a luz. Achei que ela devia ter ido ao banheiro ou tomar um copo de leite, mas... Ao ouvir um som estranho, como se alguém estivesse arrastando algo, me levantei.
  Joguei as cobertas para o lado e coloquei os pés no chão... Senti uma gosma nos pés, e, ao olhar para o solo, vi uma imensa poça de sangue misturada a pelos. O corpo do meu cão estava aberto, com os órgãos espalhados pelo quarto e pedaços da pele com pelo em meio ao sangue. O meu cão possuía um sorriso na face. Era a primeira vez que via um cachorro sorrir.
  Fiquei apavorado com tamanha monstruosidade e, rapidamente fui atrás de minhas filhas. Nenhuma delas estava no quarto, apesar deles estarem bagunçados. Temi pela segurança de minha mulher e filhas. Ao me direcionar para a escada que dava para o andar de baixo, minhas pernas tremeram, quando vi aquilo...
  Minha mulher, com a pele acinzentada e os olhos para fora das orbitas, suspensos por uma corda de tecido humano e junto a isso estava um diabólico sorriso enorme que ia até as orelhas...Ela estava arrastando o corpo de nossas duas filhas pela escada acima, puxando-as pelos cabelos louros e ensanguentados... Não tive reação alguma, estava paralisado de medo e pânico. Desejei que aquilo tudo fosse um pesadelo, desejei acordar...
  Então, ela soltou os corpos delas, que bateram o crânio nos degraus, produzindo estalos que gelavam ainda mais meu sangue, e começou a vir em minha direção...
  "Vamos, querido. Vamos para a cama. Deixe-me ver seu sorriso lindo... Ah, espera, desculpe, meus olhos já não são tão bons como antigamente."
  Ela falou sarcasticamente, mas sua voz estava distorcida. Parecia a de um demônio. Sim, não era mais minha Stella, mas um demônio. Minha Stella já havia morrido. Ela já não estava mais lá.
  Com o medo tomando conta de meu corpo, puxei rapidamente o carpete que cobria a escada. Stella rolou sobre os corpos mortos de nossas filhas... Não, minhas filhas. Rolou levando-os junto com sigo, ela bateu forte a cabeça e teve seu pescoço quebrado. Eu chamei a polícia, desesperado. Cavei o meu fim. Fui trancafiado em um hospício, acusado de psicopata com graves distúrbios psicológicos. Agora, estou no lugar das pessoas que antes eu tratava.
  Estou escrevendo com meu sangue neste em papel higiênico, que consegui com o pessoal da limpeza do meu setor... O setor 6. Inúmeras tentativas suicidas já foram acometidas, mas ouve fracasso... Mas hoje sei que estas falhas não se repetiriam, foi ele quem me disse. Smile me disse.
  Smile me obrigou a escrever isso. Ele disse que era a única forma de eu sorrir. Não posso mais ficar aqui, vivendo este inferno. Já não suporto mais as cenas de meu passado sombrio... Da morte de minhas filhas e o monstro que minha Stella se tornou. Eu preciso... Sorrir... Estou me sentindo fraco. Deve ser a falta de sangue.
  Por favor, vocês que estão lendo isso, me ajudem. Eu preciso que vocês provem minha inocência. Acreditem em mim!! Eu não matei Stella, nem nossas filhas!!! Foi tudo culpa dele!!! É tudo culpa do Smile!! Ele é o responsável... Nós podemos acabar com ele. Se vocês provarem... Provarem que eu sou inocente, que eu não matei os seres mais valiosos para mim...
  Se você está lendo isso, eu já estou morto. Meu espírito seguirá esta carta e eu saberei quem está lendo-a e quem irá me ajudar.
  Você dúvida disso? Vamos, agora vá até uma porta fechada e a abra, e então diga, quase sussurrando, afinal, não precisamos de curiosos em nosso contrato: "Eu juro que sorrirei se eu não provar sua inocência", depois vá até sua cama, e olhe debaixo dela, e então diga... "Smile, eu estou pronto".
  Fazendo isso você poderá me ver somente dentro de sua casa, permitindo que me minha forma visível seja bem vinda. Se não tiver coragem, pelo menos deixe uma maçã por semana embaixo de sua cama para mim, e então eu saberei que você quer mais tempo antes de sorrir, ou provar minha inocência, afinal você já aceitou as claúsulas do contrato. Seu destino é um dos dois. Sorrir ou provar minha inocência.
  Ouviu isso? Ouça bem... Ouviu agora?... Está sentindo isso? Sentiu agora? Eu estou do seu lado. Se quiser, pode me ver. Eu já disse a você como.
  Se não fizer nenhuma das duas, sinto muito, mas minha raiva não permitirá que, enquanto eu sofro, você fiquei aí, sentado...
  Você vai sorrir.
  Eu posso te ver quando enquanto você esta em sua cama a noite.
  Só seja bonzinho... e sorria.



Essa creepy foi escrita por Trevor Kalligan e retirada do blog Creepy World
~Rebian

4 comentários:

  1. Sou v1d4 l0k4 (e gostei mttt da creepy) entao eu sorri qnd terminei de ler e to aqui u.u

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    1. Moça, você é tão vida loka que só de ler seu comentário um monstro caiu morto aqui do meu lado kkkkkkkkk
      Mas sério, obrigada por comentar :3
      ~Rebian

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  2. Até deu arrepios brr
    Muito bom :)

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  3. site Massa pra crl , Parabéns para quem mantém ele sempre atualizado , continuem sempre assim ...

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