sábado, 26 de abril de 2014

Meu amigo Roberto

Estava eu a percorrer a internet na minha eterna missão de ler o possível sobre fatos sobrenaturais e conhecer o máximo das experiências sobrenaturais dos outros.
Essa pesquisa me levou a vários sites com contos bastante interessantes o que me encorajou a compartilhar com vocês este pequeno fato que posso garantir, é verídico e não apenas mais uma tola estória sobre uma bela garota “fantasma” pedindo carona até o cemitério.
Gostaria de esclarecer que o fato que passo a narrar não aconteceu comigo e sim com a minha mãe.
Ela conta que em sua mocidade sonhava com um rapaz que se apresentava como Roberto; um rapaz de pele clara, cabelos escuros e curtos, olhos castanhos, um olhar doce e jovial, aparentando cerca de 20 anos, alto e sempre, sempre vestido de preto.
Minha mãe dizia ainda que a voz dele era melodiosa e que em nenhum momento teve medo dele.
E passava a sonhar com ele todas as noites e contava pra ele todos os seus segredos.
Minha mãe foi criada com muita rigidez pelos pais que naquela época não eram tão abertos a diálogo.
E este rapaz dos “sonhos” passou a ser o melhor amigo de minha mãe e era para ele que ela contava toda a sua vida, contava como havia sido o seu dia, falava de suas frustrações de seus objetivos e expectativas. E ele como bom amigo interagia com ela, dava conselhos, contava histórias de vivencia... Enfim, era como uma pessoa de verdade.
Mas como era necessário acordar e viver a vida, com o passar dos anos minha mãe foi crescendo e desabrochando. As coisas seguiam seu rumo, ela trabalhava, estudava e eventualmente paquerava e era paquerada, uma coisa mais do que natural visto que minha mãe era uma jovem de uma beleza rara e deslumbrante e até hoje é assim, uma mulher muito bonita.
Mas sempre nos sonhos ela estava à volta com Roberto, o como ela mesmo prefere dizer “Beto”.
Minha mãe então ficou grávida de mim com apenas 19 anos de idade, foi uma gravidez muito difícil e nesse período a força que esse “amigo” dava a ela era fundamental.
Então após muitas complicações eu vim ao mundo. Como as pessoas próximas a mim sabem tenho um grave problema cardíaco e a ausência de um pulmão. Foi uma verdadeira maratona para conseguir que eu continuasse vivendo tamanha a gravidade do meu problema.
Passado esse período crítico na história de vida de minha mãe, que agora se cruzava com a minha história, os sonhos cessaram e ela nunca mais voltou a ver Roberto.
Essa seria uma estória simples e até mesmo um pouco adocicada se não fosse pelo fato de anos mais tarde, com meus problemas de saúde já mais controlados, minha mãe não tivesse encontrado o túmulo do “rapaz de seus sonhos”.
Estava lá dentro do cemitério Nossa Senhora do Desterro, aqui em Jundiaí, perplexa em meio aquele mar de tumbas olhando fixamente para a lápide de ladrilhos marrons onde estava a foto do rapaz que lhe visitava nos sonhos por tantos anos. Era ele mesmo, Roberto, falecido aos 21 anos no dia 20 de julho, o dia exato em que eu nasci. Um arrepio percorria sua espinha enquanto ela lia a placa de bronze onde incrustaram uma homenagem póstuma que dizia que aquele mesmo rapaz havia morrido por conseqüência de uma doença que não era outra senão a mesma que agora o próprio filho dela carregava no peito.
Deste dia em diante minha mãe passou a acreditar que aquela alma de outro mundo sabia do plano que Deus tinha para ela e acalentava os seus sonhos dando forças para evitar que outra mãe chorosa se debruçasse em lágrimas sobre o túmulo de seu filho.

Esse conto foi escrito por Diego Henrique Tripicchio, e retirado do blog Medo B
~Rebian

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