quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Campo de Rosas

  Georgia pulou para fora do caminhão de mudanças, com seu cachorro de pelúcia na mão. Sua nova casa era simplesmente adorável. Era enorme, com paredes de pedra pintadas de um claro tom de azul. O gramado da frente era de um verde vistoso, com violetas florescendo em torno da casa. Até mesmo a porta da frente parecia adorável, alta e marrom escura. Sua mãe estava levando a bagagem e seu pai estava ajudando os homens da transportadora a carregar as caixas para dentro de casa.
  Georgia estava olhando tudo ao seu redor, correndo e examinando coisas antes de se entediar de novo e procurar alguma coisa diferente. Bem, em sua defesa, ela não conseguia se concentrar muito bem pelo fato de ter apenas seis anos. Nesta idade, distrações são quase inevitáveis.


  Enquanto ela olhava um esquilo comendo uma amora ou algo assim, sua atenção foi roubada por um doce perfume. Parecia vir de um campo ao longe. Sufocada pela curiosidade, Georgia correu para sua mãe. "Mamãe! Mamãe!" ela ria com inocência enquanto corria para sua atarefada mãe.
  Sua mãe olhou para ela, sem prestar muita atenção. "O que foi?" ela perguntou. "Eu posso ir ver o campo perto da nossa casa?" Georgia perguntou, empolgada. "Está bem, só não fale com estranhos e volte aqui antes que fique escuro." Georgia concordou, já correndo em direção ao campo. Ela deixou seu cãozinho de pelúcia cair no gramado enquanto corria.
  Quando chegou ao campo, seu queixo caiu. Milhares e milhares de rosas balançavam sob a brisa. Eram todas de um vermelho elegante, delicado, com uma beleza de tirar o fôlego. Georgia correu para elas com excitação em seus olhos verdes. A brisa soprava em seu cabelo loiro. "Eu vou pegar algumas para a mamãe!" Rosas eram as flores favoritas de sua mãe. Ela começou a puxar uma flor, tentando fazê-la se soltar. Ela levantou a flor e a cheirou. Estava fresca e suave.
  Ela puxou mais cinco e correu de volta para sua mãe, com as rosas na mão. "Mamãe! Mamãe!" ela chamou enquanto corria por sobre a colina para voltar para casa. Assim que encontrou sua mãe, ela gritou seu nome. "Mamãe, eu tenho um presente para você!" Sua mãe estava cansada e suada, mas ainda assim sorriu. "O que é, querida?" Ela perguntou. "Rosas!" Georgia mostrou as rosas a ela.
  Sua mãe a olhou de um jeito estranho. "Meu bem, isso é muito legal, mas por que elas estão murchas?" Georgia olhou para baixo para ver que elas estavam de fato murchas. Ela arquejou, chocada com o que havia acontecido. "M-m-mas elas não estavam murchas antes! Eu juro!" Sua mãe lhe deu um sorriso antes de pegar uma mala e levar para dentro de casa. Frustrada e confusa, Georgia voltou para sua exploração. Ela logo esqueceu completamente as rosas e a frustração, observando um pequeno coelho atravessar a rua. Ela encontrou seu cão de pelúcia e deitou-se, olhando para as nuvens.
  Dois meses depois, quando a família já havia se acomodado em sua nova casa, Georgia continuava perplexa com o mistério das rosas. Tinha que haver algo de errado com elas. Isto era loucura. Não havia nenhuma maneira daquelas flores murcharem tão rápido naquele curto período de tempo.
  Então, todo dia, depois da escola, ela ia ao campo de rosas e colhia flores, marcando o tempo que cada uma levava para murchar. Era fascinante como os tempos variavam de três a cinco minutos. Georgia estava determinada a descobrir por que aquelas rosas morriam tão rápido. Era solitário, e nem sempre muito produtivo, mas isto deu a ela um hobby e ajudou-a a melhorar sua concentração.
  Ela também descobriu que aquele grupo de flores não era o único. Ela contou pelo menos outros trezentos e seis grupos, possivelmente mais. E eram todos iguais. Todas as flores morriam no período de tempo habitual.
  Um dia, Georgia decidiu que precisava de ajuda. Como eram as flores favoritas de sua mãe, com certeza conseguiria a ajuda dela. Georgia correu para sua mãe com um sorriso no rosto. "Mamãe, posso te mostrar uma coisa?" Sua mãe não estava fazendo nada naquele dia, então não seria uma má ideia se ela fosse ao campo com Georgia. "Mas é claro, meu bem."
  Georgia segurou sua mãe pelo braço por todo o caminho até o campo. Quando a mulher viu as rosas, ela teve a mesma reação inicial que Georgia teve. "Legal, né?" Ela pegou uma flor, mostrando a sua mãe o quão rápido ela murchava. "Viu?" A mulher olhava para as flores. "Uau. Há quanto tempo você sabe sobre isso?" ela perguntou, pegando uma flor por si mesma e observando ela morrer em frente aos seus olhos. A mãe parecia estar tão fascinada quanto a filha. Elas ficaram lá pelo resto do dia.
  Deste dia em diante, sempre que as duas tinham tempo livre, elas iam examinar as flores. A mãe de Georgia cortava uma rosa, pegava-a, e vinha com teorias sobre o porquê de ela murchar tão rápida. Georgia só marcava o tempo e levava-as para casa em uma cesta. Isto deixou as duas mais próximas, e se tornou seu pequeno projeto paralelo.

  Um dia, Georgia finalmente a encontrou. Ela encontrou a rosa que não murchava. Ela não murchou depois de três minutos. Nem cinco. Nem dez. Ela decidiu que precisava mostrar a sua mãe, que estava se preparando para um jantar chique que uma amiga dela faria. Quando ela chegou a porta da frente, esta estava aberta. Sua mãe estava no andar de cima, se arrumando. "Mamãe! Mamãe!" ela gritou.
  Quando sua mãe apareceu, ela estava absolutamente de tirar o fôlego. Ela vestia um deslumbrante vestido negro e brincos de argola. O salto alto contribuía para sua elegância, junto com o penteado sofisticado. Ela sorriu assim que viu a filha. "O que foi?" Ela perguntou. "Eu encontrei uma rosa que não murchou!" Gritou Georgia. Sua mãe arquejou e correu escada abaixo.

  Contudo, enquanto corria, ela tropeçou e caiu. Ouviu-se um estalo quando ela bateu a cabeça. Ela caiu bem na frente de Georgia com o pescoço quebrado. Georgia começou a chorare gritar pelo seu pai.
  O que Georgia não sabia é que enquanto sua mãe se arrumava, ela formulou outra teoria. Toda rosa representava uma vida. Quando você pegava uma rosa, alguém morria. Ou seja, quando elas estavam pegando as rosas todos esses dias, elas estavam matando centenas de pessoas.
  Georgia também não viu o que houve quando ela correu em direção a sua mãe. Ela largou a rosa e correu. Quando o pescoço de sua mãe quebrou, as pétalas começaram a escurecer e enrolar, o caule tornou-se frágil e ela secou, caindo ao chão. Sua mãe estava certa.




Traduzido de: A Field of Roses
Adaptado por mim :3

~Rebian

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