quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Alpes Suíços

  Muitos anos atrás, havia uma pequena vila, isolada nos Alpes Suíços. Hoje, já não existe, mas, na época, tinha uma população de cerca de 200 pessoas.
  Estava situada entre duas grandes montanhas, que bloqueavam quase completamente a luz do sol. A maior parte dos moradores sentiam como se estivessem vivendo em um estado de perpétuo crepúsculo. A aldeia era muito remota, e durante o inverno, quando a forte nevasca bloqueava as estradas, ela era muitas vezes isolada do resto do mundo.


  Em um dezembro, uma série de tempestades varreram a região e as estradas foram soterradas por seis metros de neve. As folhas caíram das árvores e os troncos nus se projetavam da montanha como costelas quebradas.
  A tempestade de neve atingiu também as linhas telefônicas, deixando os moradores sem nenhuma maneira de se comunicar com o mundo exterior. Eles ficariam presos naquela aldeia isolada por todo o inverno.
  Semanas se passaram e o tempo ficou mais frio do que nunca. Os dias eram escuros e cinza e as noites eram congelantes. Os moradores mal podiam esperar pela primavera.
  Uma noite, muitos dos aldeões estavam reunidos na taberna local, quando uma mulher entrou correndo. Ela estava visivelmente transtornada e começou a gritar: "Alguém roubou meu filho!"
  Ela alegou que havia colocado seu filho na cama naquela noite e deixou-o sozinho por alguns minutos. Quando voltou para casa, não notou nada de errado, mas quando ela foi checar seu filho, horas mais tarde, a cama dele estava vazia e a janela de seu quarto estava aberta.
  Os homens da aldeia organizaram uma busca para encontrar o garoto desaparecido. Eles vestiram suas roupas mais quentes e procuraram por toda a região, mas não havia sinal do menino. Eventualmente, eles foram forçados a cancelar a busca e entregar a criança à morte.
  Muitos acreditavam que a criança tinha simplesmente fugido e se perdido na neve. Ele também poderia ter caído em um buraco ou sido atacado e arrastado por animais selvagens. Apesar de o desaparecimento ter sido trágico e desconcertante, a vida na pequena aldeia continuou como sempre.
  Poucos dias depois, em outra noite escura e com neve, houve outro desaparecimento. Naquele domingo, o padre da aldeia tinha rezado a missa, como de costume, e depois voltado para sua casa. Na manhã seguinte, quando alguns dos moradores chegaram para chamá-lo, eles bateram em sua porta e não houve resposta. Sua casa estava vazia e não havia sinal dele.
  No quarto, alguns de seus pertences estavam espalhados ao redor da cama e parecia haver sinais de luta. Eles encontraram uma pequena mancha de sangue no assoalho. Uma busca na aldeia não resultou em nada. Era como se ele tivesse sido sequestrado. A população local começou a se preocupar e muitos temiam que houvesse um assassino entre eles.
  Nas semanas que se seguiram, mais pessoas começaram a desaparecer. Todas crianças. Cada uma delas desapareceu na calada da noite e nunca mais foi vista. Os moradores procuraram os meninos e meninas perdidos, mas foi inútil. Ninguém poderia encontrá-los, tampouco saber o que tinha acontecido com eles.
  Começaram a se espalhar por toda a aldeia rumores de que havia algum tipo de monstro escondido nas montanhas. À noite, às vezes eles ouviram gritos estranhos ecoando através da escuridão. Alguns acreditavam que o monstro emergia de sua toca durante a noite e fazia o seu caminho até a vila para se banquetear com pessoas inocentes enquanto elas estavam dormindo em suas camas.
  Outros suspeitavam que as pessoas estavam sendo sequestradas por traficantes de escravos que iriam raptá-los e vendê-los por dinheiro. A teoria não parecia ser lógica, já que as estradas que levavam para dentro e fora da cidade ainda estavam bloqueadas pela neve. Teria sido quase impossível que uma pessoa de fora chegasse à aldeia.
  Ao todo, sete crianças e um adulto haviam desaparecido no ar. Os moradores aterrorizados realizaram uma reunião municipal para discutir o que deveria ser feito. Decidiu-se que grupos de moradores sairiam em patrulha à noite, para garantir que a aldeia estivesse a salvo de predadores.
  Toda noite, um grupo de homens armava-se com seus rifles e caminhava pelas ruas desertas, à procura de quem ou o que estava por trás dos sequestros inexplicáveis​​. Eles estavam convencidos de que algo terrível estava espreitando a aldeia e eles queriam colocar um fim a esse horror.
  A primavera chegou e a neve começava a derreter. Três semanas se passaram sem qualquer incidente e os aldeões sentiam como se o pesadelo tivesse finalmente acabado. No entanto, um grupo de homens continuavam a patrulhar as ruas à noite, ainda determinados a chegar ao fundo dos misteriosos desaparecimentos.
  Em uma noite nublada, quando a lua estava cheia, um grupo de três moradores estava fazendo sua ronda. Assim que eles passaram por uma casa escura, avistaram o que parecia ser a figura de um homem, à espreita nas sombras. Ele parecia estar olhando através da janela de um quarto. Os aldeões gritaram com o vagabundo e ele imediatamente começou a correr.
  Todos estavam certos de que haviam encontrado a pessoa que estava por trás de todos os desaparecimentos. Perseguiram a figura misteriosa noite a dentro, caminhando sobre a neve e o gelo derretido o mais rápido que podiam, gritando para que ele parasse.
  Eles continuaram correndo e logo encontravam-se na periferia da cidade, onde a neve ainda estava bastante espessa e densamente acumulada. Enquanto observavam, a figura sombria de repente desapareceu de vista. Para os moradores chocados, parecia que o chão a havia devorado. Ao se aproximarem, perceberam que havia um grande buraco na neve. Era uma gruta improvisada que tinha sido escavada na encosta de um monte de neve.
  Os aldeões cercaram o buraco e espiaram lá dentro. Tudo o que podiam ver era escuridão. Eles começaram a gritar e ordenar que a figura saísse e mostrasse seu rosto.
  De repente, os gritos foram respondidos por uma saraivada de tiros que explodiu para fora da caverna. Sem pensar duas vezes, os aldeões pegaram seus rifles e começaram a atirar para dentro do buraco.
  Quando o tiroteio parou e a fumaça se dissipou, houve um silêncio assustador.
  Eles esperaram por alguns minutos, pensando no que fazer. Um membro corajoso do grupo desceu para dentro da caverna para investigar. Com seu rifle pronto para atirar, ele rastejou através da entrada da gruta, enquanto seus amigos o esperavam acima, direcionando suas lanternas para dentro do buraco para iluminar seu caminho.
  Poucos minutos depois, ele saiu da caverna com uma expressão de horror em seu rosto. Caindo sobre suas mãos e joelhos, o homem se dobrou e vomitou na neve. Ele havia finalmente descoberto a verdade por trás dos estranhos e misteriosos eventos.
  A figura sombria que eles estavam perseguindo era o padre da aldeia, que havia sumido semanas antes. Ele estava deitado no fundo do buraco, com o corpo cravejado de balas e uma espingarda na mão. A neve embaixo de seu cadáver estava vermelha de sangue e espalhados ao redor dele estavam os restos meio comidos de sete crianças.


Traduzido e adaptado por mim de: Swiss Alps
~Rebian

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