quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

3096 Dias de Cativeiro

Natascha Maria Kampusch (Viena, 17 de fevereiro de 1988) é uma austríaca conhecida por seu sequestro aos dez anos de idade, em que passou mais de oito anos em cativeiro. Aprisionada numa cela no porão da casa de seu captor, Wolfgang Přiklopil, desde 2 de março de 1998, quando se encontrava a caminho da escola, escapou em 23 de agosto de 2006, com então 18 anos. O caso foi descrito como um dos mais dramáticos da história criminal da Áustria.

Cativa e isolada do mundo da infância ao fim da adolescência, foi submetida a todo tipo de humilhação psicológica e sexual, tortura física com surras constantes, e privação de comida e luz. Sua fuga causou o suicídio de seu sequestrador, uma comoção nacional e uma crise no governo e nos serviços de segurança do país, com relação às falhas descobertas e acobertamento de erros na investigação policial, durante os anos em que esteve desaparecida e que poderiam ter levado à sua libertação mais cedo.

A história de Natascha chocou o mundo,a transformou numa celebridade nacional e internacional e resultou numa autobiografia, 3096 dias (3096 Tage), em documentários, num filme baseado em seu livro e num posterior talk show na televisão.

Sequestro

Kampusch saiu de casa, no conjunto habitacional de Rennbahnweg, para a escola onde cursava a quarta-série,no distrito de Donaustadt, em Viena, na manhã de 2 de março de 1998, mas não chegou à escola nem voltou para casa. Aborrecida e frustrada depois de uma discussão com a mãe, havia saído de casa sem beijá-la à guisa de despedida como sempre fazia, com sua mochila e seu casaco vermelho. Caminhou por um dos becos rodeados de casas com jardins que ligava o conjunto habitacional à rua Melangasse, caminho da escola. Ao caminhar pela rua Rennbahnweg, notou à sua frente uma camionete branca parada e um homem moreno de olhos azuis do lado de fora que olhava ao redor sem interesse. Preocupada, hesitou entre atravessar a rua ou continuar em seu caminho. Resolveu continuar e ao passar por ele foi agarrada rapidamente e jogada dentro da camionete que estava com a porta aberta.

Nos primeiros dias, buscas foram feitas com o uso de cães e helicópteros e cartazes foram afixados em todas as escolas de Viena e arredores. Uma testemunha de 12 anos afirmou ter visto a menina ser agarrada por dois homens e jogada dentro de uma van branca (depois Natascha diria ter sido apenas um, o sequestrador). Quando esta pista foi finalmente investigada, uma grande busca policial se deu nas semanas seguintes, com 776 vans sendo revistadas em toda a área metropolitana de Viena e cidades vizinhas. Entre as vans revistadas, estava a do sequestrador, Přiklopil, que vivia a cerca de meia hora de carro do centro de capital, em Strasshof an der Nordbahn, mas não causou nenhuma suspeita. Investigado numa batida policial, ele disse à polícia que tinha passado a manhã do sequestro toda em casa e que usava a van para transportar material para sua casa, que estava reformando.

Especulações sobre quadrilhas de pornografia infantil ou de tráfico de órgãos humanos começaram a aparecer na imprensa, levando a polícia a fazer investigações buscando ligações com possíveis crimes do pedófilo e assassino francês Michel Fourniret, quando este foi descoberto alguns anos depois, ainda durante o cativeiro de Kampusch. Como Natascha estava com seu passaporte quando foi raptada, por causa da viagem à Hungria com o pai, as buscas foram também levadas ao exterior. Acusações contra sua família complicaram mais as investigações, com insinuações de que a mãe dela estava de alguma maneira envolvida no crime ou em seu acobertamento.

Cativeiro


Durante os oito anos em que esteve sequestrada, Natascha foi mantida numa pequena cela de 5m² na garagem da casa de Přiklopil, com a entrada dela escondida atrás de um armário. Sem janelas e à prova de som, a cela tinha uma porta feita de concreto reforçada com aço.O pequeno local tinha uma pia, vaso sanitário e uma cama tipo beliche onde ela dormia na parte de cima e usava a escada para pendurar roupas. O espaço tinha 2,70m de comprimento, que ela cobria com apenas seis pequenos passos, 1,60 m de largura e 2,40 m de altura. Com 20 pequenos passos Natascha dava a volta em toda a área do cativeiro. O ar na cela vinha de um ventilador instalado no alto, que passava por um tubo no teto vindo da garagem. O ruído deste ventilador, nunca desligado, iria quase enlouquecê-la pela repetição constante nos primeiros meses. 

Em sua primeira noite de cativeiro, Natascha, que ao ser jogada na van achava que gritava, mas não conseguia produzir nenhum som e perguntou ao raptor qual o tamanho dos sapatos dele – vendo os documentários na tv, havia aprendido que o refém deve sempre tentar conseguir todas as informações de seu sequestrador para posterior identificação – pediu a Přiklopil que antes de apagar a luz de sua cela lhe colocasse na cama – no início, um fino colchão no chão – contasse uma historinha – ele leu A Princesa e a Ervilha Parte 2, de um livreto de contos infantis tirado da mochila escolar – e lhe desse um beijo de boa noite, tudo feito pelo sequestrador com boa vontade.

Nos primeiros seis meses de cativeiro, ela não teve permissão de sair da cela em nenhum momento, não pode tomar banho a não ser na pequena pia da cela, não podia olhar nem falar com Přiklopil sem autorização e por vários anos não pode deixar o pequeno espaço à noite. No primeiro ano, era obrigada a chamar seu captor de "Mestre", o que sempre se recusava, mostrando rebeldia, que lhe custaria surras.Com um ano e meio de cativeiro, ele decidiu que Natascha não podia mais usar seu nome e agora pertencia a ele; assim ela foi obrigada a escolher outro nome, e passou a chamar-se "Bibiane", sua identidade pelos próximos sete anos. Em dezembro de 1999, com 21 meses de cativeiro, ela pode respirar ar puro pela primeira vez, quando Přiklopil lhe permitiu passar alguns minutos no jardim da casa com ele, à noite. Pouco tempo depois, ele lhe disse seu verdadeiro nome e com isso Natascha teve a certeza de que seu raptor nunca a deixaria sair dali viva.

A casa de Wolfgang Přiklopil, na Heine Strasse 60, Strasshof an der Nordbahn, perto de Viena, onde Natascha foi mantida em cativeiro.
Submetida a anos de abuso físico e mental após entrar na puberdade, Natascha muitas vezes dormia algemada a Wolfgang na cama dele – o fez pela primeira vez aos quatorze anos – era obrigada a raspar a cabeça para que fios não ficassem pela casa, passou períodos de fome, chegou a apanhar mais de 200 vezes numa semana até ouvir sua própria espinha estalar, era obrigada a lavar, cozinhar, arrumar e limpar a casa quase nua, geralmente apenas de calcinha e boné. Quando seu raptor resolveu fazer uma reforma na casa, que durou anos, Natascha foi seu único operário. Chegou a carregar sacos de cimento pesados demais pra sua idade, instalar piso, montar janela e quebrar concreto, sempre sob as ordens dele e vigiada de perto. Qualquer erro, principalmente com a preparação da comida, era motivo para gritos ou tapas. No fim do dia, quase sempre voltava a ser trancada em sua masmorra. Tentou três vezes o suicídio, uma delas em 2004, incendiando papéis sobre uma chapa elétrica para esquentar comida que tinha na cela, de maneira a morrer por envenenamento provocado pela fumaça, após ouvir seu nome num programa de rádio que debatia um novo livro sobre pessoas que haviam desaparecido sem deixar vestígios.

 Por duas vezes anteriormente já tinha tentado se matar, estrangulando-se com peças de roupa aos 14 anos e tentando cortar os pulsos aos 15, sem conseguir levar até o fim seu intento em nenhuma delas.Com 16 anos, em vários períodos Přiklopil reduziu sua ração diária a ¼ do necessário a alguém da idade dela.16 Nesta idade chegou a pesar apenas 38 kg com 1,57 m. Depois de libertada soube que seu índice de massa corporal nesta época era de 14,8.Se achava uma visão triste no espelho: careca, com as costelas aparentes, maçãs do rosto fundas e os finos braços e pernas cobertos por hematomas. Em uma oportunidade, quando ela demorou a cumprir uma de suas ordens, ele lhe atirou um canivete, que perfurou seu joelho.

A casa, onde havia um interfone entre os cômodos comuns e a cela de Kampusch, para que o sequestrador pudesse falar com ela sem descer até lá, foi várias vezes visitada pela mãe de Wolfgang, Waltraud, que chegou a cozinhar e arrumar para o filho. Ela, porém, declarou depois que nunca notou a presença de mais alguém nela, apesar de, por vezes, notar um certo "toque feminino" em sua arrumação, mas sem nunca atinar de onde aquilo poderia ter vindo.

Depois dos primeiros anos, podia passar grande parte do dia na parte de cima da casa mas era levada de volta à câmara para dormir ou quando o sequestrador saía para trabalhar. Durante seu tempo ali, teve acesso à televisão e rádio, controlados por seu raptor.1 Nos últimos anos de cativeiro, ela chegou a ser vista no jardim e até no carro de Přiklopil e um dos colegas de negócios de Přiklopil disse ter visto a jovem com ele quando o sequestrador esteve em sua casa para pedir um trailer emprestado.

Depois de alguns anos de cativeiro, em que o mais longe que chegava de sua cela era o jardim da casa, Přiklopil a levou ao mundo exterior. O estado psicológico de Natascha e o domínio mental dele sobre ela, além de sua constante presença física sempre a centímetros de distância, impediram entretanto qualquer possibilidade de fuga. Estiveram uma vez numa loja de material de construção e num passeio de carro até Viena foram parados numa batida policial na estrada. O policial chegou a pedir os documentos de Přiklopil e do carro e olhar para Natascha no banco de passageiros. Em pânico com as ameaças de morte à ela e a quem chegasse ao carro em caso de qualquer reação, ela se manteve paralisada e o veículo foi liberado.

Imagens do local dos oito anos de cativeiro de Kampusch no porão da casa de Přiklopil.
Pouco antes de fazer 18 anos, Přiklopil a levou a uma estação de esqui nas montanhas perto de Viena para esquiarem por algumas horas. Depois de libertada, ela inicialmente negou esta viagem, mas acabou admitindo ser verdade dizendo que não teve nenhuma chance de escapar. Esta viagem foi planejada meticulosamente por Přiklopil, que a seu jeito psicótico tentava estabelecer uma "vida normal" com Natascha como homem e mulher. Foi a primeira vez em sete anos que ela esteve em campo aberto. O tempo todo esteve com o sequestrador próximo a ela, lembrando-lhe que a mataria e a qualquer um caso ela chamasse alguma atenção. No único momento sozinha que teve nesta viagem, a primeira vez em que ficou só sem estar em sua cela após quase oito anos, ela conseguiu ir ao banheiro feminino, com Přiklopil do lado de fora da porta esperando. O banheiro estava vazio, mas enquanto ela lá estava entrou uma mulher. Enchendo-se da coragem provocada pelo desespero, se dirigiu à mulher dizendo várias vezes se chamar Natascha Kampusch e que havia sido sequestrada, pedindo ajuda. A mulher loira lhe sorriu com simpatia, virou as costas e foi embora. A reação foi um grande golpe psicológico para Natascha, que teve então a certeza de que havia sido esquecida pelo mundo exterior e transformada num fantasma. Só depois de sua fuga descobriu-se que a mulher a quem tinha se dirigido era uma turista holandesa que não tinha entendido nada do que ela tinha falado.

Mesmo assim, Natascha muitas vezes tentou discretamente atrair a atenção, já que por anos suas fotos cobriram toda a Áustria: "Eu tentava fazer algum sinal às pessoas... Eu tentava sorrir como eu sorria nas fotos (as fotos delas transmitidas pela televisão e coladas nos postes e árvores de Viena e seus arredores depois de seu desaparecimento) para que as pessoas pudessem se lembrar de mim". Mas ela nunca foi notada.

De acordo com seu depoimento oficial após a fuga, ela e Přiklopil acordavam cedo para o café da manhã juntos. Ele lhe deu livros, de modo que ela pudesse se tornar autodidata e, de acordo com um amigo do criminoso que a havia visto uma vez, parecia feliz. Anos depois, explicando o sentimento de que não havia perdido nada durante seu confinamento, ela declarou: "eu me poupei de muitas coisas, como cigarros, bebidas e más companhias". Mas acrescentou:" eu sempre pensava: eu não vim ao mundo para viver trancada e ter minha vida completamente arruinada. Me entreguei ao desespero com essa injustiça. Sempre me senti como uma pobre galinha num galinheiro. Vocês viram minha cela na televisão e na mídia e hoje sabem como era pequena. Era um lugar de desespero." Dietmar Ecker, o assessor de imprensa de Kampusch, declarou depois que ela lhe havia dito que às vezes Přiklopil lhe batia tanto que ela mal conseguia andar. Quando ela ficava roxa de tanto apanhar, ele tentava reanimá-la, pegava uma câmera e a fotografava.

Přiklopil havia amedrontado Kampusch dizendo que as portas e janelas da casa tinham armadilhas cheias de explosivos e que ele dormia com granadas sob o travesseiro.23 Também a ameaçava dizendo que sempre carregava uma arma e a mataria e aos vizinhos se ela tentasse fugir. Uma ocasião, ela fantasiou a ideia de cortar a cabeça de seu raptor com um machado mas desistiu da ideia.24 Durante todo o tempo em que esteve presa, prometia a si própria que "iria crescer, ficar mais forte e resistente e um dia seria capaz de ser livre de novo".

Fuga

Em 23 de agosto de 2006, Natascha estava no jardim lavando e passando o aspirador de pó no BMW 850i de Přiklopil, sempre vigiada de perto, quando, às 12:53, ele recebeu um telefonema no celular. Por causa do barulho do aspirador, ele se afastou para outra área da casa para poder atender ao chamado. Deixando o aspirador ligado, ela saiu correndo pelo jardim sem ser vista por ele, que, de acordo com o interlocutor informou mais tarde aos investigadores, se comportou por toda a conversa sem parecer distraído ou perturbado. O portão do jardim estava, pela primeira vez, semiaberto. Natascha saiu por ele sem ser percebida e correu por cerca de 200 m entre os jardins das casas vizinhas e pela rua, tentando encontrar alguém. Na rua adjacente viu três pessoas andando em sua direção, um idoso, um adulto e um menino, provavelmente três homens de uma mesma família e pediu ajuda, um celular para chamar a polícia. Os homens desviaram dela seguindo seu caminho dizendo não ter celular. Pulou então a cerca de um dos jardins das casas em volta mas não encontrou ninguém. Continuou a correr cruzando cercas vivas e canteiros das casas, até ver uma senhora através da janela aberta de uma das casas da rua Heine e pediu ajuda gritando "Eu sou Natascha Kampusch!" e dizendo que sido seqüestrada, todo o tempo apavorada de que Přiklopil estivesse atrás dela. Foi mandada ficar na cerca viva e não pisar no gramado pela dona, Inge T, de 71 anos, enquanto ela telefonava para a polícia. Dois jovens policiais atenderam ao chamado e para surpresa de Natascha a mandaram ficar parada com as mãos para o alto. Perguntas rápidas foram feitas e ela foi levada pelos policiais à delegacia de Deutsch-Wagram. O sequestro havia terminado, depois de 3096 dias de cativeiro.

Sabine Freudenberger, a primeira policial a ter contato com Natascha após a libertação, declarou que ficou impressionada pela inteligência e articulação da jovem. No cativeiro, após os dois primeiros anos, Přiklopil lhe havia dado livros, ensinado matemática, permitido acesso à televisão, jornais e rádio, e ela ouvia sempre a Ö1 International , a estação oficial internacional da Áustria, dedicada à educação e música clássica, também com transmissão em espanhol e inglês.

Na delegacia, policiais que haviam trabalhado em seu caso se juntaram a seu redor. Natascha se sentiu sufocada e em pânico por estar cercada por tantas pessoas que lhe faziam várias perguntas ao mesmo tempo, depois de anos sem quase qualquer contato humano além de seu raptor. Não entendia porque não a colocaram num local tranquilo e em isolamento até que ela se tranquilizasse, para fazerem um interrogatório com mais calma no dia seguinte. Foi identificada pela cicatriz que possuía, pelo passaporte achado após as buscas na casa de Přiklopil e por exames de DNA.15 Ela foi encontrada em boa saúde física, apesar de pálida, tremendo e pesando apenas 48 kg, aproximadamente o mesmo peso (45kg) que tinha aos 10 anos quando foi sequestrada, e tinha crescido apenas 15 cms. Pouco tempo depois de sua chegada a Deutsch-Wagram e às primeiras notícais veiculadas em plantões especiais das televisões e estações de rádios, a imprensa já tinha cercado completamente o local. Sua saída dali para ser tranferida para a delegacia de Viena foi feita com a proteção de um grande cobertor azul que a cobria completamente, numa imagem que correu o mundo. Seus pais, avisados, a encontraram em Viena em estado de choque e euforia e o encontro foi em meio à choros e gritos de seus parentes. Desacostumada ao contato físico, os abraços de sua família – suas irmãs mais velhas também acorreram à delegacia – a fizeram ficar tonta e quase desmaiar. A seu pai, Ludwig Koch, que a abraçava em prantos e fez questão de procurar em Natascha a cicatriz que ela possuía desde a infância, disse: "Te amo", como dizia sempre que o pai se despedia após deixá-la na casa da mãe, quando passavam o fim de semana juntos, oito anos antes. Não teve porém permissão para voltar para casa, ficando à disposição da polícia e aos cuidados de seus psicólogos, sendo transladada da delegacia para um hotel em Burgenland, num andar guardado por homens armados e totalmente interditado pela polícia, que até ali não tinha notícias de Wolfgang Přiklopil e temia uma vingança. Só voltaria ao convívio com a família semanas depois.

Com a fuga de Natascha, Wolfgang Přiklopil fugiu da casa e vagueou o dia todo por Viena. Encontrou-se com um amigo e ex-sócio Ernst Holzapfel num shopping center, onde lhe confessou os motivos de seus atos e teve sua imagem capturada por câmeras de segurança do estabelecimento quando se encontrava num balcão de informações.No fim do dia, sabendo que toda a polícia do país o caçava, suicidou-se jogando-se na frente de um trem em movimento perto da estação Wien Praterstern, no norte da cidade. Ele havia dito a Kampusch que "nunca o pegariam vivo".


Um filme inspirado em sua vida foi criado e você pode baixa-lo aqui scarytorrent

~Carol

3 comentários:

  1. Parece até história de filme,não real 'o'

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  2. adorei a historia ela sofreu muito e se tornou uma grande guerreira

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  3. Nossa , fiquei super chocada quando li . Não sei como ela aguento viver nesse lugar minusculo

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