terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sinto Muito

  Era uma manhã de novembro de 1989. Eu acordei com vento frio roçando meu rosto suavemente. Sentei-me e virei o pescoço de um lado para outro na tentativa de estralá-lo, uma vez que ele sempre fica rígido logo no início da manhã.
  Eu jurava que tinha ouvido a voz da minha mãe, apesar de não conseguir entender o que ela disse. Mas com certeza ela me acordou. Eu fiz meu caminho para fora do meu quarto, indo para a cozinha, onde eu assumi que ela estaria, como no início de todos os dias.
  Na cozinha, minha mãe estava lavando os pratos, nada fora do comum, mas as coisas estavam estranhas, eu não consigo explicar ... Algo não parecia certo.


  A cozinha parecia tão obscura... Os armários que uma vez foram amarelos brilhantes estavam pálidos, o piso de vinil quadriculado clichê estava cinza e sem graça ... Até mesmo o avental vermelho da minha mãe que ela sempre usava estava rosa e desbotado. Eu balancei minha cabeça e esfreguei os olhos. "Eu devia ter dormido mais noite passada" zombei baixinho. Minha mãe se virou, com um sorriso no rosto. Provavelmente tinha percebido minha presença.
  Depois de ver o que tinha para o café da manhã, eu decidi que eu não estava com fome, então eu fui para o meu quarto me vestir. Eu me sentia pesado e sonolento. "O que aconteceu ontem à noite ...?" Perguntei a mim mesmo. Agora estou preocupado, eu não consigo me lembrar de nada antes de acordar. Eu me esforcei o máximo que pude para me lembrar, mas acabei dispensando esforço, assim como a fadiga, e abrindo o meu guarda-roupa para encontrar uma roupa. Suéter cinza e calça jeans. "Incrível", eu murmurei com aquele sarcasmo atrevido que minha mãe sempre odiou. "EU ESTOU INDO PARA A ESCOLA, MÃE!" Eu gritei. Sem resposta. Isso é estranho, minha mãe não me deu sua palestra habitual de ficar longe de problemas. Fui para a porta da frente.
  Enquanto andava na rua, vi um de meus amigos. "Ei cara, como vai?" Meu amigo me ignorou. "Ei, o que há de errado?" Ele continuou me ignorando. Bati no seu ombro, mas ele encolheu o braço, como se eu fosse algum estranho que o estivesse tocando. "CARA! QUAL É O SEU PROBLEMA?" Eu gritei, frustrado com os acontecimentos de hoje.
  Ele continuou andando, e eu fiquei em pé na calçada, perguntando o que diabos estaria acontecendo ... Decidir voltar para casa. Aquilo era demais para suportar, e eu estava muito cansado para me preocupar com uma explicação lógica. Ele provavelmente estava chateado comigo. Apesar de eu não saber porque.
  Ao entrar em casa, ouvi um riso. Era a minha mãe. Eu a encontrei na cozinha, sozinha, no mesmo lugar em que a tinha visto no café da manhã ... Eu me aproximei dela, ficando ao lado da pia, e o que eu vi tirou toda a cor do meu rosto. A pia estava cheia de sangue e minha mãe segurava uma faca na mão. Ela começou a resmungar. "Eu sinto muito ... você parecia tão doce, dormindo em sua cama." Eu mal ouvi as palavras, o sangue cobria os braços dela e pingava na pia. "Você está bem? O que você fez consigo mesma?" Não foi preciso muito tempo para que eu percebesse que o sangue na pia não era dela.
  Eu corri para o meu quarto. "Eu devo estar dormindo... É claro, não há explicaç-" Eu entrei no quarto e me vi na cama, dormindo. Eu virei a mim mesmo. Meu corpo virou, mas minha cabeça já não existia mais.



Traduzido de: Sorry
~Rebian

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