quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Quando eu durmo a noite

  Os rostos.
  Os rostos se tornaram parte de minha rotina diária. Eles me seguem aonde quer que eu vá, eles lamentam comigo, eles sentem a minha dor, eles sentem a mim.


  Eles estão comigo quando eu durmo a noite.
  Às vezes, eles são alegres, com cílios grandes e longos e sorrisos cintilantes. Estes rostos aparecem em dias bons, quando estou me sentindo bem. Eles me pegam com braços invisíveis e levam-me a lugares nunca vistos por olhos humanos, lugares que só existem em sonhos.
  Outras vezes, eles são absolutamente repugnantes. Rostos rugosos e doentes com caretas e olhares de terror, outras vezes de malícia. Eles são pálidos e estão sujos de sangue. Estes rostos aparecem em dias ruins, apenas acrescentando-se ao meu terror. Eles me levam a lugares de medo, minha alma sofrendo e se contorcendo, tentando se libertar de seu domínio. Suas mãos são terríveis. Eles me abraçam, friamente, e com tanta força. Sempre com tanta força.
  Às vezes, quando eu sinto que não há outra maneira, eu os abraço. Não importa suas expressões ou o seu estado emocional, eles precisam estar comigo. Como eu os adquiri, eu não posso dizer, porque eu não sei.
  Alguns dias eu tento eliminá-los. Eu tomo as pílulas que o doutor disse que os manteriam longe, e elas o fazem. Mas elas sempre se desgastam. E quando se desgastam, os rostos estão com raiva. Algumas vezes eles são abandonados. Eles me dizem que eu não sou bom, que eu sou um homem terrível por tentar mantê-los longe. Eu choro baixinho, e alguns deles choram comigo.

  Quando eu durmo a noite, eles estão comigo, eles sempre estarão.



Traduzido de: When I Sleep at Night
~Rebian

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