domingo, 5 de janeiro de 2014

Botão Vermelho



  Em uma manhã de domingo, Lauren foi acordada pelo som de seu pai batendo na porta do seu quarto.
  “Hora de acordar,” ele disse animadamente. “É Dia do Botão Vermelho.”
  Ela sentou-se e esfregou os olhos sonolentos.
  “Dia do Botão Vermelho?” ela pensou. “Que diabos é Dia do Botão Vermelho?”
  Confusa, Lauren rolou para fora da cama e se vestiu. Ela tropeçou até o banheiro e olhou seu reflexo no espelho. Tinha a estranha sensação de que alguma coisa não estava certa. Ela escovou os dentes e lavou o rosto.

  Quando ela desceu as escadas, sua mãe estava na cozinha, lavando os pratos. Ela estava vestida com sua melhor roupa de domingo. Seu pai estava tomando o café da manhã. Ele usava terno. Seu irmãozinho estava penteando o cabelo, e seus sapatos brilhavam.
  Lauren sentou-se à mesa da cozinha.
  “Pai, eu ouvi direito?” Ela perguntou hesitante. “Você disse que é Dia do Botão Vermelho?”
  “É claro,” respondeu o pai. “Você se esqueceu?”
  Lauren franziu as sobrancelhas. Alguma coisa estava errada.
  “Do que você está falando?” Ela perguntou.
  “Nós temos que sair logo,” disse seu pai. “Não queremos nos atrasar.”
  “É isso que você vai vestir no Dia do Botão Vermelho?” perguntou sua mãe.
  “Perdi alguma coisa?” perguntou Lauren, frustrada. “O que é Dia do Botão Vermelho?”
  “Pare de agir como uma idiota!” resmungou seu irmão.
  “Você não leu o panfleto?” perguntou seu pai. “Está aqui em algum lugar...”
  Ele levantou da cadeira e foi procurá-lo.
  “Eu nunca ouvi falar do Dia do Botão Vermelho!” queixou-se Lauren, tentando não perder a calma.
  Ninguém a respondeu. Eles estavam todos muito ocupados se arrumando.
Com um suspiro, Lauren pegou seu celular e ligou para seu namorado, Michael.
  “Hey, o que há de errado?” ele disse, quando atendeu o telefone.
  “Uh... Nada,” respondeu Lauren. “Por quê?”
  “Você me disse que é o Dia do Botão da sua família,” ele disse.
  “Que diabos é o Dia do Botão?” ela perguntou.
  “Você não ouviu sobre isso na escola?” ele disse surpreso.
  “Não... Talvez eu tenha faltado nesse dia...”
  “Bem, é muito complicado para explicar agora,” respondeu seu namorado. “Boa sorte.”
Antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele desligou o celular rapidamente.
  Só então, sua mãe desceu as escadas carregando algumas roupas.
  “Essa blusa é bonita,” ela disse. “Coloque. Eu quero que pareçamos o melhor possível para o nosso Dia do Botão Vermelho.”
  “Mãe, me escute por um minuto,” disse Lauren. “Tem alguma coisa muito errada aqui...”
  “Eu sei,” respondeu sua mãe. “Nós estamos ficando atrasados e você ainda não está vestida.”
  “Não, não é isso que eu quero dizer!” disse Lauren, zangada. “Eu não sei nada sobre o Dia do Botão Vermelho. Eu nunca nem ouvi falar dele. Eu sou a única que não tem a menor ideia do que está acontecendo aqui?”
  A mãe de Lauren olhou para ela por um longo tempo. Quando ela finalmente falou, sua voz estava calma.
  “Olha querida,” ela disse. “Eu sei que você está triste. Só vá se trocar. Aqui está sua blusa. Eu te vejo no carro daqui a cinco minutos, ok?”
  Com isso, ela se afastou, deixando Lauren sozinha com sua melhor blusa.
Quando Lauren deu por si, já estava no carro. Tudo estava acontecendo tão rápido, que a deixava inquieta. Ela se sentia presa.
  “Que diabos está acontecendo aqui?” Ela pensou. “Todo mundo de repente ficou louco? Talvez seja tudo uma brincadeira bem elaborada...”
  O carro parou do lado de fora de um prédio do governo cinza e monótono.
  “Aqui estamos” o pai dela disse alegremente. Todos desceram do carro e andaram até a entrada principal. Lauren seguiu sua família, ainda se perguntando para onde estariam indo.
  Uma recepcionista estava sentada atrás de uma grande mesa. Ela olhou e sorriu quando eles se aproximaram.
  “Olá, estamos aqui para o nosso Dia do Botão Vermelho,” disse o pai de Lauren.
  “Nome, por favor?”
  “Krandall, família de quatro.”
  “Por aquela porta, senhor,” disse a recepcionista. “É só seguir as setas vermelhas.”
  Eles andaram por um corredor longo e bem iluminado, forrado de escritórios, até chegarem em uma larga sala branca. Haviam quatro pequenos pilares da altura da cintura no meio da sala, e cada um tinha um botão vermelho no topo.
  Do outro lado do quarto havia uma mesa polida. Três oficiais do governo de ternos cinza estavam sentados atrás dela. Havia uma enorme bandeira com a insígnia do governo sobre eles. O aposento estava quieto e estéril.
  A família de Lauren subiu nos pilares, observando os oficiais com expectativa, deixando um pilar para ela. Com seu próprio botão. Trêmula, ela subiu no pilar, só para notar com um sobressalto que o chão ao redor estava ligeiramente inclinado em direção a um ralo atrás deles, que ela não havia notado quando chegaram ali. Um dos oficiais falou, sua voz ecoando no espaço aberto.
  “Membros da família Kendall...” o oficial do governo começou.
  “Família Krandall,” o pai de Lauren corrigiu.
  “Perdoem-me... Família Krandall,” o oficial continuou. “Vocês foram escolhidos para a honra do Dia do Botão Vermelho. O nosso querido líder agradece vocês pelo seu sacrifício por seu país, e por seu povo. Em sua honra, seus nomes serão colocados junto àqueles que estão no Long Hall.”
  “Nós estamos muito orgulhosos,” disse seu pai, colocando a mão no peito. “Todos salvem o querido líder.”
  “Todos salvem o querido líder,” respondeu o oficial do governo.
  Sua mãe concordou em silêncio e seu irmão parecia prestes a chorar de orgulho.
O oficial continuou. “Agora é a hora de apertar seus botões vermelhos. Que Deus esteja com todos vocês...”
O pai de Lauren virou para sua família e sorriu.
  “Eu vou primeiro,” ele disse, “para mostrar a vocês como é fácil...”
  Ele apertou o botão vermelho no pilar. Enquanto Lauren assistia, o rosto de seu pai ficou de um claro tom de vermelho. Uma lágrima escarlate deslizou por sua bochecha e caiu no chão branco e duro. Lauren assistiu, congelada de horror, quando sangue começou a fluir dos olhos, orelhas, nariz e boca de seu pai. O rosto dele começou a derreter. A carne deslizou dos ossos e caiu no chão. Repentinamente, sua cabeça explodiu e seu corpo sem vida estatelou-se no chão.
  Lauren começou a gritar. Sua mãe e seu irmão apertaram seus botões ao mesmo tempo. Eles começaram a derreter também, sangue escorrendo de seus olhos e orelhas, narizes e bocas. Suas cabeças explodiram e tudo ficou em silêncio.
  “Senhorita Krandall?” disse um dos oficiais do governo. “É hora de apertar o botão vermelho.”
Lauren não conseguia responder. Lá estava ela, de olhos arregalados e tremendo de medo, olhando para o botão vermelho sob seus dedos.

  “Senhorita Krandall, o Dia do Botão Vermelho é obrigatório,” ele disse numa voz monótona. “Você não tem escolha. A superpopulação está fora de controle. Parte da população precisa ser abatida. Sua família foi escolhida, assim como várias outras famílias... Isso é uma honra... Seu país precisa de você... O querido líder precisa de você... Agora aperte o botão vermelho.”




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  Eu gostei bastante dessa creepypasta porque ela aborda um problema real: a superpopulação.
É realmente preocupante. Eu acho que existe SIM uma probabilidade de uma coisa dessas acontecer. Não agora, claro, e não com botões vermelhos. Mas quem sabe se, daqui a uns 200, 300 anos, o governo não inicia um programa de redução populacional? Não digo que eles vão matar as pessoas, eles podem simplesmente esterilizá-las, para não terem filhos. Mas não deixa de ser preocupante.

~ Rebian

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