terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Corvo

Ontem eu assisti um filme muito bom que eu indico a todos, O Corvo, de 2012,
é um ótimo filme pra quem gosto de histórias de serial killer, como eu, onde o escritor Edgar Allan Poe começa a ver crimes serem ocorridos iguais ao de suas histórias. O serial killer fica dando pistas a Edgar que tem que quebrar a cabeça para desvenda-las.
O filme é inspirado em um cara que realmente existiu, era um escritor e poeta, que criou o poema The Raven, que é o nome do filme, O Corvo. No início do filme diz que jamais foi descoberta a causa da morte de Edgar, a única coisa que se sabe é que ele foi encontrado nas ruas com roupas que não eram suas em estado de delirium tremens, foi levado ao hospital e acabou morrendo quatro dias depois. Não falava mais coisa com coisa, e suas ultimas palavras foram " Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe ".
Essa história de serial killer foi inventada no filme, eu li a história de vida dele e em nenhum momento fala sobre isso, mas no resto a história do filme se assemelha muito a sua vida.      
Aqui o poema:
OCorvo
(deEdgarAllanPoe)

Numa meia-noiteagreste, quando eulia, lento etriste,
Vagos, curiosostomosdeciênciasancestrais,
E já quaseadormecia, ouvio queparecia
Osom dealgúem quebatia levementea meusumbrais.
"Uma visita", eumedisse, "está batendo a meusumbrais.
É só isto, enada mais."

Ah, quebem disso melembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombrasdesiguais.
Como euqu'ria a madrugada, toda a noiteaoslivrosdada
P'ra esquecer(em vão!) a amada, hojeentrehostescelestiais-
Essa cujo nomesabem ashostescelestiais,
Massem nomeaquijamais!

Como, a tremerfrio efrouxo, cada reposteiro roxo
Meincutia, urdia estranhosterroresnunca antestais!
Mas, a mim mesmo infundido força, euia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aquiem meusumbrais;
Uma visita tardia pedeentrada em meusumbrais.
É só isto, enada mais".

E, maisfortenum instante, já nem tardo ouhesitante,
"Senhor", eudisse, "ousenhora, decerto medesculpais;
Maseuia adormecendo, quando viestesbatendo,
Tão levementebatendo, batendo pormeusumbrais,
Quemalouvi..."E abrilargos, franqueando-os, meusumbrais.
Noite, noiteenada mais. 

Atreva enormefitando, fiqueiperdido receando,
Dúbio etaissonhossonhando queosninguém sonhouiguais.
Masa noiteera infinita, a pazprofunda emaldita,
E a única palavra dita foium nomecheio deais-
Euo disse, o nomedela, eo eco disseaosmeusais.
Isso só enada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardouqueouvissenovo som batendo maisemais.
"Porcerto", disseeu, "aquela bulha éna minha janela.
Vamosvero queestá nela, eo quesão estessinais."
Meucoração sedistraía pesquisando estessinais.
"É o vento, enada mais."

Abrientão a vidraça, eeisque, com muita negaça,
Entrougraveenobreum corvo dosbonstemposancestrais.
Não feznenhum cumprimento, não parounem um momento,
Mascom arsoleneelento pousousobreosmeusumbrais,
Num alvo busto deAtena quehá porsobremeusumbrais,
Foi, pousou, enada mais.

E esta aveestranha eescura fezsorrirminha amargura
Com o solenedecoro deseusaresrituais.
"Tenso aspecto tosquiado", disseeu, "masdenobreeousado,
Óvelho corvo emigrado lá dastrevasinfernais!
Dize-mequalo teunomelá nastrevasinfernais."
Disseo corvo, "Nunca mais".  

Pasmeideouviresteraro pássaro falartão claro,
Inda quepouco sentido tivessem palavrastais.
Masdeveserconcedido queninguém terá havido
Queuma avetenha tido pousada nosmeusumbrais,
Aveoubicho sobreo busto quehá porsobreseusumbrais,
Com o nome"Nunca mais".

Maso corvo, sobreo busto, nada maisdissera, augusto,
Queessa frase, qualsenela a alma lheficasseem ais.
Nem maisvoznem movimento fez, eeu, em meupensamento
Perdido, murmureilento, "Amigo, sonhos- mortais
Todos- todosjá seforam. Amanhão também tevais".
Disseo corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida porfrasetão bem cabida,
"Porcerto", disseeu, "são estasvozesusuais,
Aprendeu-asdealgum dono, quea desgraça eo abandono
Seguiram atéqueo entono da alma sequebrouem ais,
E o bordão dedesesp'rança deseucanto cheio deais
Era este"Nunca mais".

Mas, fazendo inda a aveescura sorrira minha amargura,
Sentei-medefrontedela, do alvo busto emeusumbrais;
E, enterrado na cadeira, penseidemuita maneira
Quequ'ria esta aveagoureia dosmaustemposancestrais,
Esta avenegra eagoureira dosmaustemposancestrais,
Com aquele"Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, masnem sílaba dizendo
Àavequena minha alma cravava osolhosfatais,
Isto emaisia cismando, a cabeça reclinando
No veludo ondea luzpunha vagassobrasdesiguais,
Naqueleveludo ondeela, entreassobrasdesiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-seentão o armaisdenso, como cheio dum incenso
Queanjosdessem, cujoslevespassossoam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-teDeus, poranjosconcedeu-te
Oesquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teusais,
Onomeda quenão esqueces, equefazessesteusais!"
Disseo corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disseeu, "profeta - oudemônio ouavepreta!
Fossediabo outempestadequem tetrouxea meusumbrais,
Aesteluto eestedegredo, a esta noiteeestesegredo,
Aesta casa deância emedo, dizea esta alma a quem atrais
Sehá um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disseo corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disseeu, "profeta - oudemônio ouavepreta!
Pelo Deusantequem ambossomosfracosemortais.
Dizea esta alma entristecida seno Édem deoutra vida
Verá essa hojeperdida entrehostescelestiais,
Essa cujo nomesabem ashostescelestiais!"
Disseo corvo, "Nunca mais".

"Queessegrito nosaparte, aveoudiabo!", eudisse. "Parte!
Torna á noiteeà tempestade! Torna àstrevasinfernais!
Não deixespena queatestea mentira quedisseste!
Minha solidão mereste! Tira-tedemeusumbrais!
Tira o vulto demeupeito ea sombra demeusumbrais!"
Disseo corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noiteinfinda, está ainda, está ainda
No alvo busto deAtena quehá porsobreosmeusumbrais.
Seuolhartem a medonha cordeum demônio quesonha,
E a luzlança-lhea tristonha sombra no chão há maisemais,
Libertar-se-á... nunca mais!

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